Resenha: Por que Lateralus é um dos melhores álbuns de metal da década de 2000

Primeiro, deixando o álbum falar por ele mesmo.

É um privilégio histórico e tecnológico o ouvinte poder ter esse álbum a um clique e absolutamente de graça. A capa do álbum foi produzida por ninguém menos que o artista plástico e guru lisérgico Alex Grey.tool-alex-grey-98494-3456x2304Tool é uma banda dos Estados Unidos formada por Maynard James Keenan, Danny Carey, Adam Jones e Justin Chancellor. Durante a década de 90 e 00 o grupo se firmou no monte do Olimpo do metal impondo sua sonoridade pesada e atmosférica. Lateralus é na minha opinião o melhor álbum da banda, e uma das obras primas da década de 2000. top-tool-band-980x753Seria um erro postar de início alguma faixa isolada. Parece que nenhuma está completa sem a outra. Existe uma estranha continuidade misteriosa que envolve todas as faixas.E essa continuidade vai além de o final de uma composição ser o prelúdio ideal para a próxima, estou falando de algum tema ou motivo que permanecem constantes durante todo o álbum. Talvez seja pela influência da bateria de Danny Carey, inspirado por percussão cíclica e padrões geométricos.

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Bateria inspirada no Hexagagrama de Unicurso.

Lateralus é um album capaz de fluir do metal mais pesado àquilo que há de mais leve. E o mais alucinante é a habilidade que a banda tem de construir a atmosfera, elevando o som, pouco a pouco, e cada vez mais, a níveis estratosféricos e colossais. Tool é também o caminho entre o peso de bigorna na cabeça e a pena branca ao vento. Isso também pelo vocal do ex-psicótico, alucinado e emotivo, e agora cowboy, Maynard Keenan, conhecido também pela banda de new metal grunge que tinha com a atual baixista do Pixies, Paz Lechantin.

O álbum foi premiado com o Grammy para a Melhor Performance de Metal. Outros premiados já foram Ozzy Osbourne, Korn, Nine Inch Nails e Metallica.

É desse tipo de metal que tô falando!

Esse metal que parece ser inspirado por saltos de tirolesa em plena cidade de céu nublado. Do topo de um prédio até a avenida movimentada, onde de um pulo você cai no banco do automóvel que rasga o asfalto. Cabelos ao vento. E combinado com a suavidade mais tranquila, hipnótica, em mantra. Pra mim tem a ver com a guitarra de Adam Jones, que vai do riff mais arrepiante, arrancando aquela montanha russa na nuca, até drones áspero e massageantes. O guitarrista também é artista visual para os shows e alguns clipes da banda.

(Esse vídeo não é feito pelos caras da banda. A versão do fã ficou bem melhor – foda-se)

Meditativo, mas também aterrorizante. Apesar de Maynard sussurrar em Disposition. ” – We Are All Equal” , o desfecho do álbum com a tribal Triad diz que alguma apreensão está próxima. Então vem a última faixa, Faap de Oaid, daquelas atmosferas aterrorizadoras a que só o krautrock mais kósmico pode se igualar. Mas Faap de Oaid não é sobre correntes sendo batidas em latas ou mulheres gemendo no microfone. É sobre o depoimento de um funcionário da área 51 sobre ET’s a uma transmissora de rádio.

Mas se a última faixa é uma incitação à loucura e à insanidade, o ciclo retorna ao princípio, em que o berro de The Grudge, um dos mais longos e rasgantes do metal, incita que devemos mesmo é “let go!”. Álbum em espiral ou mandala. Pérola high tech de virada de século. Ano de 2001.

tumblr_n2ae4wkQvW1qebxmho1_1280Produção feita por Dave Botrill, que também produziu para o Dream Theater. Em poucas palavras: Lateralus é um dos melhores álbuns da década de 2000 porque pegou o metal progressivo mais sofisticado, o sludge mais sujo, e também se refrescou no new metal e na música oriental. Os músicos, se não todos de virtuose, têm inegavelmente habilidade, controle e disposição de técnicas e linguagens versáteis, além de estarem profundamente envolvidos no processo de produção do conteúdo audiovisual. tumblr_lxmz6i12b01qmidx6o1_1280 tumblr_mlx27wf7BJ1s5e7aco1_1280

Na minha cabeça vêm aquelas imagens de Need For Speed 3:Hot Porsuit kkkkkkkkkkkk

Alguma coisa que brota na minha mente ocasionalmente durante a audição. Sensação misteriosa que me inspira. Mas isso já tem a ver com a quinta dimensão, em que tudo é experiência e nada é comunicável. E essas experiências cada um tem sua própria. Qual a sua? O que acha desse som pesado e ao mesmo tempo polido? Existe sonoridade parecida?

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