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A crueldade como mecanismo orgânico de reprodução da vida é universal

Atualmente só estão contentes com o mundo tal como ele é os insensíveis e egoístas – quem ignora a fome, as guerras e as convulsões que ocorrem nas nações e com indivíduos de todas as posições na vida.

Corporações e banqueiros investidores, buscando riqueza e lucro, agem sem cautela com a saúde, felicidade ou bem-estar daqueles que trabalham para eles ou compram seus produtos.
Consumidores em todos os lugares comprando e jogando fora materiais de uma maneira que nosso planeta é tratado não só como uma festa open-bar mas também como um cesto de lixo.

Olhares fugidios expressam não a benevolência de corações humanos – pureza imaculada que sequer algum dia existiu aqui, mas sim a treva de espíritos perdidos em círculos mundanos de mania.
Procuro e encontro nestes rostos senão a cobiça, a lascívia e o egoísmo acobertados pelo véu nublado da solidão, esta companheira íntima mas também tão inexplorada pelas almas caídas, que se estranham como seres sexuais subjugados pelo perpétuo vazio de uma existência sem propósito.

Sobre todas as grelhas de todas as churrasqueiras, em todas as celebrações e aniversários, a morte tem sabor arisco e aroma defumado.
Orifícios de prazer e necessidade são o canal e símbolo para a transubstanciação sodomita daquilo que tolos foram ensinados a chamar de amor.

Olho para cima, levanto minhas mãos aos céus e vejo senão na renúncia o caminho mais nobre para viver neste mundo material.

Embora postado agora, este texto existe como rascunho há pelo menos 8 meses. Está concluído, não a nada a alterar, mas hesitei em postar por não saber se concordo com o que está escrito. Fui eu quem o escrevi, fruto de uma meditação em uma tarde sombria. Posso dizer que fui eu quem o escreveu? Não sei.

Eu não amo ninguém

No que me pese o gosto de todos as paixões, nenhum será tão doce quanto o próprio sabor desta música. Está aí a eficácia de certa produção de som levada a cabo por certos veículos astrais humanos com sensibilidade apurada: descongestionar a energia acumulada nos centros de força e da psique – pois mesmo as sensações ditas afetuosas ou benevolentes constituem excesso de sentimentalismo tolo e ingênuo quando situadas no picadeiro de conspirações impessoais da ninfomania pós-moderna.

Viver em busca de um amor é rasgar lentamente com um punhal a carne do meu próprio coração.

Amo esta guitarra distorcida, amo a harmonia vocal sussurrante, amo a estética das sensações, amo (…) e viveria em sonho toda uma vida com a cor púrpura destas ondas mecânicas que amo,

mas não amo a pessoa alguma, além daqueles que devo amar pelo próprio dever da gratidão cosmogônica.

Loveless.

Estreando: o nome de vocês. rsrsrsr

Fala Eustáquio! Deep Purple com Coverdale no vocal. Uma breguice danada! Adoro! E o Tommy Bolin aliviando na guitarra! Que play sensacional! Hard rock bemencaixado, com um groove de quebrar as cadeiras, som que meu pai, jovem, ouviria se tivesse um cabelão, e não houvesse nascido no Nordeste na época em que não existia internet. RISOS, Ana!

Para o marcio silva de almeida, de uma época em que o rock pesadão trazia essa carga de blues e de soul. Excetuando-se, claro, o PODEROSO Sabbath, que já havia se exorcizado dessas influências. Mas também o King Crimson, que explorou outras frequências e outras dimensões do som pesado. Sir Lord Baltimore… mas daí já é deixar de citar clássicos e apelar para os cults. Vocês estão ligados! Cada qual conhece pelo menos um desses! Riffs-e-raffs que nós gostamos. 

Come Taste the Band foi lançado em 1975, um ano antes de a história do heavy metal ser desfibrilada pela potência vocal de Rob Halford, e a guitarra-dupla maníaca dos Judas Priest em Victim of Changes.  Anos depois, Venom, Metallica, Slayer… estou me esquecendo de algum ponto nesta linha??? Me ajudem! Jimmy Hendrix há anos fritando já antes!

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Tommy Bolin. Belo.

Resenha íntima: Mer de Noms

O álbum Mer de Noms é de uma sensibilidade ímpar. Organismo vivo, comunica-se comigo numa linguagem emotiva e sensual. A poesia íntima de MAYNARD J. Keenan fecha feriadas antigas com a delicadeza de uma energia feminina.

Run, desire, run, sexual being
Run him like a blade to and through the heart
No conscience, one motive
To cater to the hollow
Screaming

Uma safira sonora com sabor final de anos 90, tempero de um grunge paliativo mas também de um metal alternativo delicado. Os refrões e riffs fluem e são agradavelmente combinados, numa montãna-rusa sonora esparsa e viajante. Maynard, simplesmente, canta. Voz doce e ofendida, revoltada mas frágil. Com andamento vívido e melódico, a harmonia seduz a confissões e amarguras. Viciante.

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Drunk on ego
Truly thought I could make it right
If I kissed you one more time to
Help you face the nightmare
But you’re far too poisoned for me
Such a fool to think that I can wake you from your slumber
That I could actually heal you..

PAZ Lechantin está jovial e branda, verdejante de perfumes e (…). A intro de Orestes é realmente de se canonizar no compêndio daquelas basslines misteriosas e melancólicas.

A produção do álbum em estúdio é de se arrepiar, pois as tracks soam tão limpas e cristalinas que é impossível não tirar o chapéu para o trabalho de mixagem de Billy Howerdel. Efeitos de overdub e arranjos orquestrais de muito bom gosto, retirados da cartola de um mago de estúdio. Mas ao vivo a banda também esbanja qualidade, com performances intensas.

Maynard maravilhoso usando longos cabelos de peruca e com unhas pintadas. Uma inspiração.

Difficult not to feel a little bit
disappointed, and passed over
When I’ve looked right through,
see you naked but oblivious.

And you don’t see me…  

Here I am expecting just a little bit too much from the wounded
But I see, see through it all, see through, see you.

Um álbum que fala a mim como um cúmplice falaria. O Leonardo, agora menos ingênuo, e com o coração já cicatrizado. Um Leonardo sensual, emotivo e sentimental.

Sobre loops eletrônicos, mantras religiosos e estados alterados de consciência.

A ideia por trás de um simples gif é que ele seja repetível infinitésimas vezes, e que isso seja suficiente para uma apreciação hipnótica que baste por si só. Para que cada detalhe dos pixels e também da ideia ou conceito possam ser contemplados até à catarse, é necessário atenção.

Este é o fundamento também da música erudita minimal (Erik Satie, Ärvo Part, Steve Reich), da música eletrônica digital que se utiliza de loops para acontecer (techno em sistemas computadorizados de inteligência artificial programada – Juan Atkins em Detroit e Richard D. James na Irlanda); ou analógica (hip-hop no MPC), mas também dos mantras religiosos que possibilitam a aproximação ao divino através da repetição. Entre estes compositores-produtores, há uma figura excedente.

Rod Modell frequentou anos a fio sessões musicais em que o maha-mantra sagrado é cantado diariamente, e cantado à exaustão, pelos diligentes discípulos do Senhor Krishna. Um profeta sagrado cujo nascimento é datado em 33 séculos a.C. Uma das almas perfeitas que assim como Jesus de Nazaré passou pelo plano tridimensional da matéria para nos deixar recados. Entre estes, Bhagavad Gita e a Bíblia.

Entre brasileiros, o índio que cotidianamente traz Deus ao chão da aldeia através do canto do pajé. Invasão de terras demarcadas e massacre de uma Consciência autóctone. No mundo, intolerância religiosa mas também falta de fé; espiritualidade: igual a nada vezes nada, isto é, 0 à esquerda.

Mas para o discípulo religioso não é necessário nenhum loop já não-contido no Livro ancestral dos cantos, e no inalterável ritmo das contas do rosário a voz humana combina Tua consciência com a de Deus. Vá e veja.

Mas e quem não foi lá, ou já foi mas não pode lá viver por mais que alguns anos? A vida profana se impõe, e é capital se’nvolver na Grande Sociedade. Muitos prazeres, que eu gosto. Quem não pode se sacode. Aí de mim! Para nós buscadores, mas também apreciadores do som profundo, Rod Modell fornece o mais sofisticado design sonoro que há. Techno silente, frutífero do luxo meditativo, estabelecido na tradição do dub para as massas.

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Aleluia!

 

Death Grips – ???????

GLASS

Sempre que acesso o site do Death Grips eu fico surpreso com a quantidade de lixo, leia-se: criatividade que lá vejo, isto é, me instiga a capacidade que estes jovens sombrios têm para produzir arte a partir de um um caldo cultural diversificado – da contracultura sessentista ao techno, passando pelo rap e música punk, chegando até a beirar a nova onda da música vapor para internet, tudo calcado num poço profundo de bad trips aberto nos escombros morais do século XXI – grande vazio existencial, comportamento auto-destrutivo e muita droga, sem deixar de exaltar um gosto estético bem suspeito e verdadeiramente atormentado.

O glorioso metal

Num universo quântico em que a consciência produz matéria – não o contrário – e dada a periculosidade da desesperança dos seres humanos niilistas ou sem fé, essa banda sueca de power metal usou-se de um portal transdimensional e invocou seu guitarrista, chamado Transcendental Protagonist, cuja responsabilidade é “a poesia da iluminação espiritual através da guitarra”, para agir na purificação dos corações e no despertar das mentes das nações para um Terceiro Milênio vindouro. Quer mais? É fantástico.

Tá aí o porquê de eu amar tanto o glorioso metal.

álbum avulso da madrugada

Quando fico existencial venho e posto mais um álbum. assim parece que os riffs me impedem de pensar. e você?????você está lendo isso agora? quem é você? acessa sempre essa plataforma de comunicação? o mundo é apático ou eu não sei me mesmo me comunicar?

MELVINS

ultimamente tenho ouvido muita música pesada. de death grips, a slayer, a venom. e você? você é obsessivo quanto a cds, musicas e lançamentos também? se achou esse meu blog aqui então provavelmente também deve ser pelo menos um pouco. veio do last fm? veio do google buscar apenas um link de download? DON’T YOU SPEAK PORTUGUESE?

na internet as coisas são como são e eu não sei na verdade nem mais o que é. nesse sentido a nova música do death grips INANINMATE SENSATION explica bem as coisas. mas, porra, por que vc se importaria com death grips? a gente é brasileiro, eu de são paulo, death grips é californiano. eles fazem show pelos estados unidos, eles moram ao lado do VALE DO SILÍCIO e eu moro AO LADO DE GUARULHOS. por que eu deveria me identificar com eles?

OUÇO POUCA MÚSICA BRASILEIRA. não me identifico com ela, e não sei nem se me identifico com música nenhuma. não consigo nem entender o que ESSA PORRADA SONORA DO MELVINS tá falando.

PORRADA INCESSANTE. e se eu escrevo sobre um álbum por mais tempo do que ele tocou DO COMEÇO até o final… eu paro imediatamente.

Resenha: Álbum avulso do dia: ‘EYEHATEGOD’ – ‘TAKE AS NEEDED FOR PAIN’

O que se sabe desse álbum é que Mike Williams durante a gravação havia sido largado pela namorada, e já que estava sem lugar para ficar passou a morar num quarto abandonado acima de um strip club. Mike era conhecido por sofrer de asma, e viver últimas consequências da vida: além de ter perdido pai e mãe ainda quando criança, saiu de casa aos 15 de idade, e por anos viveu como usuário habitual de heroína. O álbum foi lançado em Dezembro de 1993 em New Orleans. EHGTANFPFront1As letras ficam praticamente incompreensíveis graças aos berros enfurecidos e rancorosos de Mike Williams. Os riffs de guitarra de Jimmy Bower são absolutamente pesados, incessantes, e poluídos. Muito feedback, distorção e ruído no decorrer de todo o álbum. A bateria soa bem abafada. Se esse álbum tivesse cheiro, ele ia feder até dar náusea.

O primeiro pico acontece com ‘Blank’, de 7min10, a faixa mais longa do CD, em que os grooves gordurosos que vão dominar os 50 minutos do play são introduzidos. A imundície sugerida pela setlist é rastejantemente preenchida. Em alguns trechos a banda exibe influências de hardcore punk e o ritmo dessa marcha putrefata é abruptamente acelerado.

Aos 19 minutos ‘Disturbance’ literalmente perturba ao interromper o álbum com um longo drone de 7 minutos, no qual uma voz que faz lembrar o áudio de alguma aula de medicina cirúrgica fala sobre “pacientes”, “decaptação”, “rins” e “tubos”. A quantidade de reverb nas guitarras e no baixo é tão cheia de camadas e densa que provoca uma espécie de sucção em areia movediça sonora.

1. “Blank” 7:10
2. “Sisterfucker (Part I)” 2:13
3. “Shoplift” 3:17
4. “White Nigger” 3:56
5. “30$ Bag” 2:51
6. “Disturbance” 7:01
7. “Take as Needed for Pain” 6:09
8. “Sisterfucker (Part II)” 2:39
9. “Crimes Against Skin” 6:49
10. “Kill Your Boss” 4:16
11. “Who Gave Her the Roses” 2:00
12. “Laugh It Off” 1:33
Total:
49:54

Mike na faixa homônima ao álbum segue com letras que talvez demonstrem o ódio transbordante que nutre por si mesmo:

Breast Fed From A Dog
Since The Day I Was Born
Severe Allergic Infektion
Lousy Lust Pimp

Narcotic Induced Hypo-Thermia

As faixas mais curtas do álbum – ‘Shoplift’, ‘White Nigger’, ’30$ Bag’, ‘Sisterfucker I e II – são praticamente indistinguíveis. O álbum ao todo soa como uma massa lodosa e homogênea. ‘Crimes Against Skin’ é no entanto a faixa com os riffs mais distinguíveis, na minha opinião. A impressão que fica é a de que o álbum flui muito bem.

O breakdown de ‘Who Gave Ger the Roses’ cessa abruptamente o álbum, que tem seu fim na bizarra ‘Laugh it Off’, uma colagem de som curta e perturbante. Ouvi o álbum pela primeira vez hoje, e agora, de madrugada, já o devo estar reproduzindo pela 7ª ou 8ª vez.

Para quem gosta de: Cromagnon, Black Sabbath, Boris e Sleep

É isso aí. O som é podreira mas a energia que quero passar é positiva: compartilhando o que eu gosto com pessoas que também vão gostar. Quem aí curte um sludge metal? Até a próxima!