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Tempos de peso : Resenha: Venom – Welcome to Hell (1981)

Há quem chame VENOM de “old metal”. Se não for ofensivo, então exatamente o que o álbum “Welcome to Hell” representa. No ano de 1981, uma data em que os “grandes do hard rock” estavam estagnados, os britânicos do Venon chegaram usando spikes, jeans, pentagramas e dando voadora na porta,

Vejam só, os também ingleses Deep Purple já não lançavam nada desde 1975. Em 1980, o ídolo John Bonham já era falecido. O YES, EMERSON, LAKE AND PALMER, CAMEL e o prog em geral nem se fala: estavam na praia fazendo artesanato. Dessa leva, KNG CRIMSON foi a banda que se imunizou ao tempo, se bem sucedendo sob a liderança de Fripp pelas ondas da New Wave. Dá pra ver então como por volta de 1980 o rock britânico estava devidamente desaquecido. E falta ainda adicionar no cenário o choque e revolução que o punk causou no rock. Em 1976 os SEX PISTOLS já tinham lançado “Never Mind the Bollocks, Here’s The Sex Pistols”,  e os RAMONES seu primeiro álbum, auto-intitulado.

O Venom, e a leva da Segunda Onda de Heavy Metal Britânico eram uma resposta a tudo isso. E se os punks gritavam “Anarchy in UK”, o Venom gritava “I’m In League With Satan”. Não só isso. O vocalista Cronos gritava “Junte-se à legião de VENOM. Porque nós vamos ficar selvagens. Nós vamos destruir você. ” Venom traz com clareza e, em MUITO ALTO e bom tom, temas sobre satã, putaria, drogas e degradação.

“Wellcome to Hell” foi supostamente gravado em 3 dias, e lançado com uma produção bem abaixo dos níveis de qualidade impostos pelas grandes gravadoras, com som barulhento. Isso porque a banda não tinha dinheiro nenhum, e pensava que estava gravando músicas demo. No final das contas, as demo se transformaram no debut da banda.

As influências de Venom no metal extremo são evidentes: além da temática satânica e explicitamente degradada, ajudou a popularizar um visual bem distinto do que o rock estava fazendo na época (seus contemporâneos do Mercyful Fate popularizaram o corpse paint) pavimentando o território e inspirando as seguintes gerações de black, death e thrash metal.

Apresenta potência sonora inesgotável. Sem dúvida nenhuma fundou o gênero do Black Metal, e a prova disso é que a faixa número 4, de 56 segundos, compostas de atmosferas sonoras, serviu de nome para a banda norueguesa Mayhem.

Só de pensar que essa pepita aqui foi lançada 5 anos antes de Reign in Blood, outro puta álbum definidor de gêneros, já oferece outra visão da dimensão da importância do Venom. E quem duvida, vai ouvir. Mas cuidado: depois que você tá dentro do círculo, não tem volta, Venom deixa selvagem mesmo!