Sobre a cena musical

Iggy Pop, Stones, Velvet Underground, etc podem até ser muito bons, eu reconheço, mas, como brasileiro, sinto que nunca – nunca vou conseguir curtir a essência da vibe desses sons se não for na ocasião de overdose no banheiro sujo de um pub em UK.

Que bom que nunca consegui um intercâmbio na faculdade!

Não, pera! Com essas motivações, acho que quem não me quis foi o intercâmbio.

King Crimson e o fim

Embora em uma composição pobre, excetuando-se, claro, a originalidade inerente a qualquer som próprio da banda, o efeito pastiche de um new metal genérico de virada do século é exatamente o que o King Crimson objetivou nesse som: foi uma composição propositadamente empobrecida, para se demonstrar a penúria a que os músicos criativos são submetidos pela indústria, isto é, a uma limitação da estrutura, para conter teatro banal  de refrão cativante. Chega a ser irritante!

De uma das bandas de mais tradição no rock, um diagnóstico sobre o atual estágio das demandas do público ouvinte.

Só mesmo em épocas assim é que álbuns tão xexelentos quanto Songs for the Deaf, do TQOTSA,  podem ser aplaudidos como um dos melhores da década.

Enfim, a música – ou a vida, para esses assuntos, têm potencial para serem uma maravilha, até que sejam chutadas na cara pela inabalável voadora da Realidade, subsidiadas certamente pelo grande dedo do meio do Sistema.

 

 

Tempos de peso : Resenha: Venom – Welcome to Hell (1981)

Há quem chame VENOM de “old metal”. Se não for ofensivo, então exatamente o que o álbum “Welcome to Hell” representa. No ano de 1981, uma data em que os “grandes do hard rock” estavam estagnados, os britânicos do Venon chegaram usando spikes, jeans, pentagramas e dando voadora na porta,

Vejam só, os também ingleses Deep Purple já não lançavam nada desde 1975. Em 1980, o ídolo John Bonham já era falecido. O YES, EMERSON, LAKE AND PALMER, CAMEL e o prog em geral nem se fala: estavam na praia fazendo artesanato. Dessa leva, KNG CRIMSON foi a banda que se imunizou ao tempo, se bem sucedendo sob a liderança de Fripp pelas ondas da New Wave. Dá pra ver então como por volta de 1980 o rock britânico estava devidamente desaquecido. E falta ainda adicionar no cenário o choque e revolução que o punk causou no rock. Em 1976 os SEX PISTOLS já tinham lançado “Never Mind the Bollocks, Here’s The Sex Pistols”,  e os RAMONES seu primeiro álbum, auto-intitulado.

O Venom, e a leva da Segunda Onda de Heavy Metal Britânico eram uma resposta a tudo isso. E se os punks gritavam “Anarchy in UK”, o Venom gritava “I’m In League With Satan”. Não só isso. O vocalista Cronos gritava “Junte-se à legião de VENOM. Porque nós vamos ficar selvagens. Nós vamos destruir você. ” Venom traz com clareza e, em MUITO ALTO e bom tom, temas sobre satã, putaria, drogas e degradação.

“Wellcome to Hell” foi supostamente gravado em 3 dias, e lançado com uma produção bem abaixo dos níveis de qualidade impostos pelas grandes gravadoras, com som barulhento. Isso porque a banda não tinha dinheiro nenhum, e pensava que estava gravando músicas demo. No final das contas, as demo se transformaram no debut da banda.

As influências de Venom no metal extremo são evidentes: além da temática satânica e explicitamente degradada, ajudou a popularizar um visual bem distinto do que o rock estava fazendo na época (seus contemporâneos do Mercyful Fate popularizaram o corpse paint) pavimentando o território e inspirando as seguintes gerações de black, death e thrash metal.

Apresenta potência sonora inesgotável. Sem dúvida nenhuma fundou o gênero do Black Metal, e a prova disso é que a faixa número 4, de 56 segundos, compostas de atmosferas sonoras, serviu de nome para a banda norueguesa Mayhem.

Só de pensar que essa pepita aqui foi lançada 5 anos antes de Reign in Blood, outro puta álbum definidor de gêneros, já oferece outra visão da dimensão da importância do Venom. E quem duvida, vai ouvir. Mas cuidado: depois que você tá dentro do círculo, não tem volta, Venom deixa selvagem mesmo!

álbum avulso da madrugada

Quando fico existencial venho e posto mais um álbum. assim parece que os riffs me impedem de pensar. e você?????você está lendo isso agora? quem é você? acessa sempre essa plataforma de comunicação? o mundo é apático ou eu não sei me mesmo me comunicar?

MELVINS

ultimamente tenho ouvido muita música pesada. de death grips, a slayer, a venom. e você? você é obsessivo quanto a cds, musicas e lançamentos também? se achou esse meu blog aqui então provavelmente também deve ser pelo menos um pouco. veio do last fm? veio do google buscar apenas um link de download? DON’T YOU SPEAK PORTUGUESE?

na internet as coisas são como são e eu não sei na verdade nem mais o que é. nesse sentido a nova música do death grips INANINMATE SENSATION explica bem as coisas. mas, porra, por que vc se importaria com death grips? a gente é brasileiro, eu de são paulo, death grips é californiano. eles fazem show pelos estados unidos, eles moram ao lado do VALE DO SILÍCIO e eu moro AO LADO DE GUARULHOS. por que eu deveria me identificar com eles?

OUÇO POUCA MÚSICA BRASILEIRA. não me identifico com ela, e não sei nem se me identifico com música nenhuma. não consigo nem entender o que ESSA PORRADA SONORA DO MELVINS tá falando.

PORRADA INCESSANTE. e se eu escrevo sobre um álbum por mais tempo do que ele tocou DO COMEÇO até o final… eu paro imediatamente.

Resenha: Álbum avulso do dia: ‘EYEHATEGOD’ – ‘TAKE AS NEEDED FOR PAIN’

O que se sabe desse álbum é que Mike Williams durante a gravação havia sido largado pela namorada, e já que estava sem lugar para ficar passou a morar num quarto abandonado acima de um strip club. Mike era conhecido por sofrer de asma, e viver últimas consequências da vida: além de ter perdido pai e mãe ainda quando criança, saiu de casa aos 15 de idade, e por anos viveu como usuário habitual de heroína. O álbum foi lançado em Dezembro de 1993 em New Orleans. EHGTANFPFront1As letras ficam praticamente incompreensíveis graças aos berros enfurecidos e rancorosos de Mike Williams. Os riffs de guitarra de Jimmy Bower são absolutamente pesados, incessantes, e poluídos. Muito feedback, distorção e ruído no decorrer de todo o álbum. A bateria soa bem abafada. Se esse álbum tivesse cheiro, ele ia feder até dar náusea.

O primeiro pico acontece com ‘Blank’, de 7min10, a faixa mais longa do CD, em que os grooves gordurosos que vão dominar os 50 minutos do play são introduzidos. A imundície sugerida pela setlist é rastejantemente preenchida. Em alguns trechos a banda exibe influências de hardcore punk e o ritmo dessa marcha putrefata é abruptamente acelerado.

Aos 19 minutos ‘Disturbance’ literalmente perturba ao interromper o álbum com um longo drone de 7 minutos, no qual uma voz que faz lembrar o áudio de alguma aula de medicina cirúrgica fala sobre “pacientes”, “decaptação”, “rins” e “tubos”. A quantidade de reverb nas guitarras e no baixo é tão cheia de camadas e densa que provoca uma espécie de sucção em areia movediça sonora.

1. “Blank” 7:10
2. “Sisterfucker (Part I)” 2:13
3. “Shoplift” 3:17
4. “White Nigger” 3:56
5. “30$ Bag” 2:51
6. “Disturbance” 7:01
7. “Take as Needed for Pain” 6:09
8. “Sisterfucker (Part II)” 2:39
9. “Crimes Against Skin” 6:49
10. “Kill Your Boss” 4:16
11. “Who Gave Her the Roses” 2:00
12. “Laugh It Off” 1:33
Total:
49:54

Mike na faixa homônima ao álbum segue com letras que talvez demonstrem o ódio transbordante que nutre por si mesmo:

Breast Fed From A Dog
Since The Day I Was Born
Severe Allergic Infektion
Lousy Lust Pimp

Narcotic Induced Hypo-Thermia

As faixas mais curtas do álbum – ‘Shoplift’, ‘White Nigger’, ’30$ Bag’, ‘Sisterfucker I e II – são praticamente indistinguíveis. O álbum ao todo soa como uma massa lodosa e homogênea. ‘Crimes Against Skin’ é no entanto a faixa com os riffs mais distinguíveis, na minha opinião. A impressão que fica é a de que o álbum flui muito bem.

O breakdown de ‘Who Gave Ger the Roses’ cessa abruptamente o álbum, que tem seu fim na bizarra ‘Laugh it Off’, uma colagem de som curta e perturbante. Ouvi o álbum pela primeira vez hoje, e agora, de madrugada, já o devo estar reproduzindo pela 7ª ou 8ª vez.

Para quem gosta de: Cromagnon, Black Sabbath, Boris e Sleep

É isso aí. O som é podreira mas a energia que quero passar é positiva: compartilhando o que eu gosto com pessoas que também vão gostar. Quem aí curte um sludge metal? Até a próxima!

Resenha: Underground Resistance – Interestellar Fugitives (1998)

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Interestellar Fugitives is the second full album by Underground Resistance. With 15 tracks from different acts – all filiated to the organization – this one works as a decomonstration of what UR is as an organic collective of techno musicians. Note that the album also features tracks from Underground Resistance, which consists at this year of Mad Mike Banks, one of the co-founders of the collective, along with Jeff Mills and Robert Hood who left it in 92. The three of them, and the other acts featured on IF, are very representative of the  second wave of detroit techno.
The only of the co-founders I know the solo work is  Robert Hood, who plays minimal techno and has a solid discgraphy banging raw electronic music in the 90’s.

Some of the artists featured on IF have a consistent and long work, like Suburban Knight and Drexciya. The others however  had  some EP’s or only singles, with some of them released by the UR label itself. Nonetheless the tracks are all killers. Probably because the great amount of artists featured, only very solid tunes were selected.

Tracks like Afrogermanic by Chaos show that mechanic side of futuristic electro music, very tight beats; Something Happened On Dollis Hill by The Infiltrator is most like an atmospheric breakbeat song; DJ Rolando a.k.a. The Aztec Mystic presents a very groovy tune with a robot speaking in spanish – since Rolando R Rocha lived in a Hispanic disctric in Detroit. Drexciya has 2 tracks on the album: a short ambient piece called  “Interstellar Crime Report” which fades into the very representative of Drexciya’ds work as whole: Aquatacizem; The Infiltrator shines again with a very dark and droney ambient piece, UR on Mir.

According to the porpose of presenting the members of the collective, there’s this great folder.

ur1Note how Drexciya is described as “Undwerwater deployment of electronic funk bombs.”

Para admiradores de techno multi-camadas, motoriko, analógico e funky.

Compromisso com a música de qualidade.