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A crueldade como mecanismo orgânico de reprodução da vida é universal

Atualmente só estão contentes com o mundo tal como ele é os insensíveis e egoístas – quem ignora a fome, as guerras e as convulsões que ocorrem nas nações e com indivíduos de todas as posições na vida.

Corporações e banqueiros investidores, buscando riqueza e lucro, agem sem cautela com a saúde, felicidade ou bem-estar daqueles que trabalham para eles ou compram seus produtos.
Consumidores em todos os lugares comprando e jogando fora materiais de uma maneira que nosso planeta é tratado não só como uma festa open-bar mas também como um cesto de lixo.

Olhares fugidios expressam não a benevolência de corações humanos – pureza imaculada que sequer algum dia existiu aqui, mas sim a treva de espíritos perdidos em círculos mundanos de mania.
Procuro e encontro nestes rostos senão a cobiça, a lascívia e o egoísmo acobertados pelo véu nublado da solidão, esta companheira íntima mas também tão inexplorada pelas almas caídas, que se estranham como seres sexuais subjugados pelo perpétuo vazio de uma existência sem propósito.

Sobre todas as grelhas de todas as churrasqueiras, em todas as celebrações e aniversários, a morte tem sabor arisco e aroma defumado.
Orifícios de prazer e necessidade são o canal e símbolo para a transubstanciação sodomita daquilo que tolos foram ensinados a chamar de amor.

Olho para cima, levanto minhas mãos aos céus e vejo senão na renúncia o caminho mais nobre para viver neste mundo material.

Embora postado agora, este texto existe como rascunho há pelo menos 8 meses. Está concluído, não a nada a alterar, mas hesitei em postar por não saber se concordo com o que está escrito. Fui eu quem o escrevi, fruto de uma meditação em uma tarde sombria. Posso dizer que fui eu quem o escreveu? Não sei.

Resenha: Por que Lateralus é um dos melhores álbuns de metal da década de 2000

Primeiro, deixando o álbum falar por ele mesmo.

É um privilégio histórico e tecnológico o ouvinte poder ter esse álbum a um clique e absolutamente de graça. A capa do álbum foi produzida por ninguém menos que o artista plástico e guru lisérgico Alex Grey.tool-alex-grey-98494-3456x2304Tool é uma banda dos Estados Unidos formada por Maynard James Keenan, Danny Carey, Adam Jones e Justin Chancellor. Durante a década de 90 e 00 o grupo se firmou no monte do Olimpo do metal impondo sua sonoridade pesada e atmosférica. Lateralus é na minha opinião o melhor álbum da banda, e uma das obras primas da década de 2000. top-tool-band-980x753Seria um erro postar de início alguma faixa isolada. Parece que nenhuma está completa sem a outra. Existe uma estranha continuidade misteriosa que envolve todas as faixas.E essa continuidade vai além de o final de uma composição ser o prelúdio ideal para a próxima, estou falando de algum tema ou motivo que permanecem constantes durante todo o álbum. Talvez seja pela influência da bateria de Danny Carey, inspirado por percussão cíclica e padrões geométricos.

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Bateria inspirada no Hexagagrama de Unicurso.

Lateralus é um album capaz de fluir do metal mais pesado àquilo que há de mais leve. E o mais alucinante é a habilidade que a banda tem de construir a atmosfera, elevando o som, pouco a pouco, e cada vez mais, a níveis estratosféricos e colossais. Tool é também o caminho entre o peso de bigorna na cabeça e a pena branca ao vento. Isso também pelo vocal do ex-psicótico, alucinado e emotivo, e agora cowboy, Maynard Keenan, conhecido também pela banda de new metal grunge que tinha com a atual baixista do Pixies, Paz Lechantin.

O álbum foi premiado com o Grammy para a Melhor Performance de Metal. Outros premiados já foram Ozzy Osbourne, Korn, Nine Inch Nails e Metallica.

É desse tipo de metal que tô falando!

Esse metal que parece ser inspirado por saltos de tirolesa em plena cidade de céu nublado. Do topo de um prédio até a avenida movimentada, onde de um pulo você cai no banco do automóvel que rasga o asfalto. Cabelos ao vento. E combinado com a suavidade mais tranquila, hipnótica, em mantra. Pra mim tem a ver com a guitarra de Adam Jones, que vai do riff mais arrepiante, arrancando aquela montanha russa na nuca, até drones áspero e massageantes. O guitarrista também é artista visual para os shows e alguns clipes da banda.

(Esse vídeo não é feito pelos caras da banda. A versão do fã ficou bem melhor – foda-se)

Meditativo, mas também aterrorizante. Apesar de Maynard sussurrar em Disposition. ” – We Are All Equal” , o desfecho do álbum com a tribal Triad diz que alguma apreensão está próxima. Então vem a última faixa, Faap de Oaid, daquelas atmosferas aterrorizadoras a que só o krautrock mais kósmico pode se igualar. Mas Faap de Oaid não é sobre correntes sendo batidas em latas ou mulheres gemendo no microfone. É sobre o depoimento de um funcionário da área 51 sobre ET’s a uma transmissora de rádio.

Mas se a última faixa é uma incitação à loucura e à insanidade, o ciclo retorna ao princípio, em que o berro de The Grudge, um dos mais longos e rasgantes do metal, incita que devemos mesmo é “let go!”. Álbum em espiral ou mandala. Pérola high tech de virada de século. Ano de 2001.

tumblr_n2ae4wkQvW1qebxmho1_1280Produção feita por Dave Botrill, que também produziu para o Dream Theater. Em poucas palavras: Lateralus é um dos melhores álbuns da década de 2000 porque pegou o metal progressivo mais sofisticado, o sludge mais sujo, e também se refrescou no new metal e na música oriental. Os músicos, se não todos de virtuose, têm inegavelmente habilidade, controle e disposição de técnicas e linguagens versáteis, além de estarem profundamente envolvidos no processo de produção do conteúdo audiovisual. tumblr_lxmz6i12b01qmidx6o1_1280 tumblr_mlx27wf7BJ1s5e7aco1_1280

Na minha cabeça vêm aquelas imagens de Need For Speed 3:Hot Porsuit kkkkkkkkkkkk

Alguma coisa que brota na minha mente ocasionalmente durante a audição. Sensação misteriosa que me inspira. Mas isso já tem a ver com a quinta dimensão, em que tudo é experiência e nada é comunicável. E essas experiências cada um tem sua própria. Qual a sua? O que acha desse som pesado e ao mesmo tempo polido? Existe sonoridade parecida?