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De por que The Cure é um lixo

 Ouvir o The Cure é como ter uma aula sobre “o que não escrever sendo letrista”. Primeiro que o infeliz gosta de achar que está falando por todos e usa o pronome pessoal “nós” para destilar as desesperanças próprias da sua alma desencontrada. A relevância da banda talvez esteja justamente nisto, em conseguir motivar uma legião de fãs a orbitarem em torno de um buraco negro que suga e nada dá em troca. Noite eterna, fria, sem lembranças. Nereida parasita de energia vital. Vampirismo.

A receita desta criação artística é simples, eu dou a chave: banhe-se na sua própria tristeza, meditando e maximizando seu próprio desespero. Se “a arte como criação é a essência da magia”, então você compõe sua música e como consequência cria uma nova alma ao sublimar sua inquietude, que foi real, expressando-a através da criação. Por fim, aqueles que se identificam com a criação lhe abençoam o nome, e você receberá seu share de orações.

O empresário recomenda “resigna tu e esforça-te apenas para sofrer, grava o CD e regozija com a fama.” Também pudera, a produção é top. A violência da batida eletrônica em “One Hundred Years” e o desespero do riff áspero da guitarra são de arrepiar. Inovadores sonoros, sem dúvida.

Mas se superar o niilismo é “acender uma luz sobre as trevas da mera existência” então a obra de um homem que canta “All alone we’ll die one after the other/… Waiting for the death blow” não se conserva para o Terceiro Milênio. Uma legião de fãs que se identificam com tais temas é apenas o atestado do desespero existencial instalado na população mundial captado pelo termômetro da música pop. E tenho dito.

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Não